quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Estou cheia de acácias balançando amarelas,
e eu que mal e mal comecei a minha jornada,
começo-a com um senso de tragédia,
adivinhando para que oceano perdido vão os meus passos de vida.
E doidamente me apodero dos desvãos de mim,
meus desvarios me sufocam de tanta beleza.
Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca.
e eu que mal e mal comecei a minha jornada,
começo-a com um senso de tragédia,
adivinhando para que oceano perdido vão os meus passos de vida.
E doidamente me apodero dos desvãos de mim,
meus desvarios me sufocam de tanta beleza.
Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca.
Clarice Lispector
domingo, 31 de julho de 2011
Dos Estados Unidos, o físico judeu Rudolf Ladenburg envia cartas à prima Agathe com notícias das pesquisas da equipe de Albert Einstein. O misterioso cão filósofo Coisa em Si. Soprano dá aulas de música na colônia e interpreta trechos de Madame Butterfly para a vaca Berenice, acreditando que a ópera é estímulo à produção de leite. Rabino celebra casamento em plena mata tropical. A história de uma governanta da família Matarazzo Suplicy. Portinari presenteia os amigos de Rolândia com quatro óleos sobre tela. Estes são alguns dos episódios que coloriram a vida dos judeus refugiados na terra vermelha do Paraná, nos anos 30 e 40, e que só agora vêm à luz. São histórias de resistência e esperança garimpadas durante 4 anos, no Brasil e na Alemanha, pelo escritor e jornalista Lucius de Mello. Mas além de todos os obstáculos que tiveram que enfrentar para começar uma vida nova numa terra completamente diferente, por ironia do destino, essas famílias judias descobriram-se refugiadas numa colônia parcialmente nazista. E este livro publica com exclusividade e em primeira mão as fotos inéditas das festas hitleristas promovidas na cidade de Rolândia na década de 30, em plena mata brasileira. O livro conta a saga das famílias alemãs, judias e cristãs, que fundaram a cidade de Rolândia. Para escrever o romance o autor ouviu, praticamente, todos os descendentes diretos dos pioneiros no Brasil e na Alemanha. Fala das dificuldades que essa gente teve que enfrentar no meio do mato, as doenças, os insetos, os bichos, o preconceito, a falta de socorro médico, a saudade dos amigos e parentes que não conseguiram fugir e morreram nos campos de concentração. Esse povo acompanhava as notícias da guerra por um único rádio que a polícia política só permitiu que ficasse na colônia porque pertencia a um imigrante polonês.
Fonte: Americanas.com.br
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Eu gosto de gente que vibra, que não tem de ser empurrada, que não tem de dizer que faça as coisas, mas que sabe o que tem que fazer que faz. A gente que cultua seus sonhos até que esses sonhos se apoderem de sua própria realidade.
Eu gosto de gente com capacidade para assumir as consequências de suas ações, de gente que arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, que se permite abandonar os conselhos sensatos deixando as soluções nas mãos de Deus.
Gosto de gente que é justa com sua gente e consigo mesma, da gente que agradece o novo dia, as coisas boas que existem em sua vida, que vive cada hora com bom ânimo dando o melhor de si, agradecendo por estar vivo, de poder distribuir sorrisos, de oferecer suas mãos e ajudar generosamente, sem esperar nada em troca.
Eu gosto da gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem lastimar ou me ferir. Da gente que tem tato. Gosto de gente que possui sentido de justiça. A estes chamo de meus amigos.
Me gosta a gente que sabe a importância da alegria e a pratica. Da gente que no meio das piadas nos ensina a conceber a vida com humor. Da gente que nunca deixa de ser animada.
Gosto da gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão.
Gosto da gente fiel e persistente, que descansa quando se trata de alcançar objetivos e idéias.
Me encanta a gente de critério, a que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou que não sabe algo. De gente que, ao aceitar seus erros, se esforça genuinamente para não voltar a cometê-los.
De gente que luta contra adversidades. Gosto de gente que busca soluções. Gosto de gente que pensa e medita intensamente. De gente que valoriza seus semelhantes, não por um estereótipo social, nem como se apresentam.
De gente que não julga, nem deixa que outros julguem. Gosto de gente que tem personalidade. Me encanta a gente que é capaz de entender que o maior erro do ser humano é tentar arrancar da cabeça aquilo que só sai do coração.
A sensibilidade, a coragem, a solidariedade, a bondade, o respeito, a tranquilidade, os valores, a alegria, a humildade, a fé, a falsidade, o tato, a confiança, a esperança, o agradecimento, a sabedoria, os sonhos, o arrependimento e o amor para com os demais e contigo próprio. São coisas fundamentais para se chamar gente.
Com gente como essa me comprometo, para o que seja, pelo resto de minha vida... já que, por tê-los junto de mim, me doiu por bem retribuído.
Obrigado por ser parte dessa gente!
Mário Benedetti
sexta-feira, 3 de junho de 2011
O avesso da minh'alma
Alardeia-se diante da minha impotência...
Minha vontade imensa em destruir o óbvio
faz-me vítima da minha própria imperfeição...
nos abalos das profundezas
encontro forças para continuar...
nas noites escuras busco meu sonhar
onde lembranças são traduzidas
em grandes nostalgias...
cercadas de sofrimento e tristeza
aspergindo alegria e contentamento
em vivência contínua de um passado
que insiste em ressurgir...
ainda latente e doído...
mas transformou-me em força e coragem.
A figura dilacerada de hoje
afirma que o tempo passa
que os medos mudam,
que as dores se transformam...
mas, acima de tudo, aviltantemente,
me pertencem... me guiam...
e a alegria neste meu avesso
é o resultado do que sou hoje...
Implacável... impecável...
Mas o meu respeito...minha compaixão
e meu perdão...prevaleceram!!
domingo, 15 de maio de 2011
Sonhar
Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço,
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.
Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.
É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.
Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo.
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço,
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.
Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.
É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.
Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo.
Helena Kolody
Eu sei, mas não devia
Marina Colasanti
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma. (1972)
O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.
© Projeto Releituras Arnaldo Nogueira Jr
terça-feira, 26 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Em Prece
Senhor: como ouvirei
o que falas dentro de mim,
se minh’alma inquieta
está sempre fazendo
um barulho infernal ?
Como sentirei a doçura
do afeto com que me afagas
se o recebo entre os delírios
da ilusão que me domina?
Tu estás junto a mim sempre
tentando, a todo instante,
na constância do amor
envolver-me suavemente.
Eu, porém, filho ingrato,
absorto nos ruídos do mundo,
escondo-me de ti, sempre,
não te percebendo
a terna presença,
causa única
da felicidade sem fim.
Lindolfo Pena Pereira
(É com grande honra e felicidade que recebi este presente do meu estimado e querido amigo Dr. Lindolfo, que é minha referência espiritual e meu exemplo de pessoa digna)
(É com grande honra e felicidade que recebi este presente do meu estimado e querido amigo Dr. Lindolfo, que é minha referência espiritual e meu exemplo de pessoa digna)
A palavra alteridade significa se colocar no lugar do outro na relação interpessoal, com consideração, valorização, identificação e diálogo.
A prática da alteridade se conecta aos relacionamentos tanto entre indivíduos como entre grupos culturais religiosos, científicos, étnicos, etc.
Na relação alteritária, está sempre presente os fenômenos holísticos da complementaridade e da interdependência, no modo de pensar, de sentir e de agir, onde o nicho ecológico, as experiências particulares são preservadas e consideradas, sem que haja a preocupação com a sobreposição, assimilação ou destruição destas.
“Ou aprendemos a viver como irmãos, ou vamos morrer juntos como idiotas”(Martin Luther King).
A prática da alteridade conduz da diferença à soma nas relações interpessoais entre os seres humanos revestidos de cidadania.
Pela relação alteritária é possível exercer a cidadania e estabelecer uma relação pacífica e construtiva com os diferentes, na medida em que se identifique, entenda e aprenda com o contrário.
A prática da alteridade se conecta aos relacionamentos tanto entre indivíduos como entre grupos culturais religiosos, científicos, étnicos, etc.
Na relação alteritária, está sempre presente os fenômenos holísticos da complementaridade e da interdependência, no modo de pensar, de sentir e de agir, onde o nicho ecológico, as experiências particulares são preservadas e consideradas, sem que haja a preocupação com a sobreposição, assimilação ou destruição destas.
“Ou aprendemos a viver como irmãos, ou vamos morrer juntos como idiotas”(Martin Luther King).
A prática da alteridade conduz da diferença à soma nas relações interpessoais entre os seres humanos revestidos de cidadania.
Pela relação alteritária é possível exercer a cidadania e estabelecer uma relação pacífica e construtiva com os diferentes, na medida em que se identifique, entenda e aprenda com o contrário.
Alteridade: Conviver com as diferenças!
quarta-feira, 13 de abril de 2011
FLASH MOB
O Flash mob definitivamente está na moda, para quem ainda não sabe ou conhece do que se trata, Flash mob são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada, estas se dispersaram tão rapidamente quanto se reuniram. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social.
segunda-feira, 21 de março de 2011
"Os homens podem dividir-se em dois grupos: os que seguem em frente e fazem alguma coisa e os que vão atrás a criticar." (Sêneca)
Há dias em que me sinto um pouco desanimada com a capacidade da criatura humana. Como as pessoas se comprazem em criticar e blasfemar contra aqueles que tentam fazer algo para melhorar a sociedade, o município, a cultura, a família ... críticas são bem-vindas quando acrescentam algo em favor de uma causa ou situação e não quando difamam e arruinam uma ideologia. A sensação de frustração me invade quando vejo pessoas com "mentes pequenas" se posicionando sem conhecimento de causa e com uma capacidade incrível de desmerecer o seu próximo. Não seria mais fácil unirmos forças por um mundo melhor? Nos ajudando mutuamente com a simples finalidade de sermos mais felizes? De minimizarmos os sofrimentos do nosso dia a dia?
Triste realidade essa... em que o amador malogrado precisa julgar os outros para sentir-se um pouco melhor com a própria incapacidade!
"Se dedicamos nosso tempo em criticar nossos semelhantes, não teremos tempo para amá-lo."
domingo, 20 de março de 2011
Nativos da Venezuela, os sapos de vidro pertencem à família de anfíbios Centrolenidae (ordem Anura).
Embora a coloração de fundo seja verde limão, a pele do abdome de alguns membros desta família é transparente, de modo que o coração, fígado e aparelho digestivo são visíveis através da pele translúcida.
(Foto de Heidi e Hans Jurgen Koch)
sábado, 19 de março de 2011
CISNE NEGRO
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Winona Ryder, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Benjamin Millepied.
Direção: Darren AronofskyGênero: Suspense
Duração: 108 m
Sinopse: 'Cisne Negro' é um thriller psicológico ambientado no mundo do balé da Cidade de Nova York. Natalie Portman interpreta uma bailarina de destaque que se encontra presa a uma teia de intrigas e competição com uma nova rival interpreta por Mila Kunis. Dirigido por Darren Aronofsky (O Lutador, Fonte da Vida), Cisne Negro faz uma viagem emocionante e às vezes aterrorizante à psique de uma jovem bailarina, cujo papel principal como a Rainha dos Cisnes acaba sendo uma peça fundamental para que ela se torne uma dançarina assustadoramente perfeita.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
FLORBELA ESPANCA
Dada a singularidade do seu temperamento, aliada à rejeição que isso motivava da parte da sociedade, e, sobretudo, em virtude das relações amorosas que nunca a satisfazem e lhe trazem sucessivas desilusões, surge em Florbela uma pretensão evasiva. Aparece, nos seus versos, a ideia de fuga, manifestada, principalmente, em «Trocando Olhares», e que tanto se poderá ligar à sua ambição de infinito, como ao desejo de morrer que a levará ao suicídio. Essa pretensão torna-se particularmente evidente, se atendermos à temática do sonho a que Florbela repetidamente regressa: ao sonho de um lugar sem mágoas, nem solidão, onde as desilusões não a possam atingir. É ela a «Maria das Quimeras», que acorda sempre dos seus sonhos de amor, mas espera, ainda assim, que essas quimeras impossíveis se renovem.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Fernando Pessoa
Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.
Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.
Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.
Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.
"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."
Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.
Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.
Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.
Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.
"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
CAIXA DE PANDORA
É um mito grego que narra a chegada da primeira mulher à Terra e, com ela, a origem de todas as tragédias humanas. Essa história chegou até nós por meio da obra Os Trabalhos e os Dias, do poeta grego Hesíodo, que viveu no século VIII a.C., diz a historiadora Maria Luiza Corassin, da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com a obra, o titã Prometeu presenteou os homens com o fogo para que dominassem a natureza. Zeus, o chefão dos deuses do Olimpo, que havia proibido a entrega desse dom à humanidade, arquitetou sua vingança criando Pandora, a primeira mulher. Antes de enviá-la à Terra, entregou-lhe uma caixa, recomendando que ela jamais fosse aberta. Dentro dela, os deuses haviam colocado um arsenal de desgraças para o homem, como a discórdia, a guerra e todas as doenças do corpo e da mente mais um único dom: a esperança.
Vencida pela curiosidade, Pandora acabou abrindo a caixa, liberando todos os males no mundo mas a fechou antes que a esperança pudesse sair. Essa metáfora foi a maneira encontrada pelos gregos para representar, num enredo de fácil compreensão, conceitos relacionados à natureza feminina, como a beleza, a sensualidade e o poder de dissimulação e de destruição, diz Fernando Segolin, professor de Literatura da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo. - Álvaro de Campos, 7-11-1933
- MAGNIFICAT
Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia!
Assinar:
Postagens (Atom)





